Essa busca por significado transforma o papel do produtor, que se torna também um educador. Ele acredita que o produtor apaixonado tem a responsabilidade de compartilhar sua filosofia de trabalho, tornando a experiência de provar um vinho natural inesquecível. O universo dos vinhos naturais, por outro lado, ainda carece de uma regulamentação unificada no Brasil.
Esse avanço se reflete, aliás, no número cada vez maior de vinícolas, tanto no Brasil quanto no exterior, que investem na produção de rótulos sem álcool. A moderação no consumo de álcool é outra tendência que vem redefinindo o mercado global de bebidas. Vinhos sem álcool ou com baixo teor alcoólico atraem consumidores que buscam opções mais saudáveis sem abrir mão da experiência de degustação. No cenário internacional, a vinícola alemã Schatzi Leitz, da região de Rheingau, tornou-se uma referência de qualidade com sua linha Eins Zwei Zero. Os vinhos sem álcool do produtor Johannes Leitz são amplamente reconhecidos por seu frescor e pela preservação da qualidade aromática das uvas. O portfólio da linha é composto por oito rótulos, que incluem vinhos brancos, tintos e espumantes.
Parte deles, assim como Bernstein, conseguiram adquirir pequenas parcelas e ter vinhedos próprios depois de alguns anos. Por exemplo, os vinhos de Dominique Laurent elaborados a partir de uvas de terceiros (ou négoce, como é chamado na França), são engarrafadas com seu nome. Já as cuvées produzidas a partir de seus 11 hectares de vinhedos próprios são comercializadas como Domaine Laurent Père et Fils. Apesar das dificuldades, o mercado cresce impulsionado por um novo perfil de consumidor. Tatiana Buniac descreve esse público como “principalmente mais jovem, na faixa de 25 a 40 anos”, formado por “pessoas preocupadas com a saúde, sustentabilidade e valorização da produção local”. A promessa desses vinhos é uma expressão mais pura e autêntica do terroir – a combinação de solo, clima e local de onde vêm.
Vinho sem álcool é uma tendência que veio para ficar; entenda
A Tudo e Vinho possui seu próprio clube de vinhos, com planos mensais que atendem a diferentes perfis Maxx Select e preferências, proporcionando uma jornada enológica única e personalizada.
Vinhos desalcoolizados: tendência que veio para ficar?
O processo inicia com a colheita, que deve ser feita no ponto ótimo de maturação para que a uva mantenha o equilíbrio entre açúcar e acidez. Segue-se a prensagem suave, essencial para extrair o sumo sem romper as sementes e aportar sabores amargos ao vinho. A fermentação é realizada sob temperaturas controladas, geralmente em tanques de aço inoxidável, para preservar a frescura e os aromas da uva.
Vinhos Naturais: A Nova Tendência de Mercado
“A Tannat tem taninos mais concentrados e oferece ótima capacidade de desalcoolização; o Tempranillo traz corpo mais leve e perfil mais aromático”. Essa “ciência” se refere à desalcoolização, etapa final na qual o álcool é retirado sem comprometer o perfil sensorial. “O método mais usado é a destilação a vácuo em baixas temperaturas, que retira o álcool sem cozinhar o vinho e preserva suas características”, explica Elaine. Com o objetivo de democratizar o consumo de vinhos a um preço acessível, o Grupo Vino! A partir de 2019, passou a expandir a operação para outros estados brasileiros e hoje conta com mais de 61 unidades de wine bars espalhadas pelo país. Em outra categoria alcoólica importante, como a cerveja, os dois maiores players do mercado relatam um crescimento muito acima da média no segmento sem álcool.
Essa preferência está alinhada com a busca por uma experiência sensorial mais leve e adequada às refeições típicas do verão. Além disso, a diversidade de uvas brancas, como Sauvignon Blanc, Chardonnay e Riesling, oferece opções versáteis que agradam desde iniciantes até os apreciadores mais experientes. Por exemplo, vinícolas na Alemanha estão explorando novos territórios, como a Noruega, em busca de condições mais favoráveis. No Brasil, regiões como a Serra Gaúcha e o Vale do São Francisco têm registrado um aumento no cultivo de uvas para vinhos brancos e espumantes, que se destacam em climas mais quentes e tropicais. Na Espanha, a tradicional vinícola Miguel Torres, da Catalunha, demonstra seu compromisso com a saúde e a inclusão através da linha Natureo. Lançada em 2008, a linha é resultado de um cuidadoso processo de desalcoolização que preserva os aromas e sabores originais do vinho.
A curiosidade por novos sabores tem levado os consumidores a explorarem vinhos produzidos com uvas autóctones e provenientes de regiões menos conhecidas. Essa tendência valoriza a diversidade e incentiva a descoberta de rótulos únicos e autênticos. Além disso, regiões vinícolas da Nova Zelândia e Austrália, conhecidas por vinhos tropicais e aromáticos, estão atraindo o interesse do público brasileiro, que busca novidades alinhadas ao seu paladar. A tecnologia também está transformando a forma como o vinho é produzido e consumido. Aplicativos e rótulos interativos com realidade aumentada oferecem informações sobre harmonização, origem das uvas e notas de degustação diretamente no celular do consumidor. Além disso, embalagens inovadoras, como vinhos em lata e porções individuais, estão ganhando popularidade, especialmente entre os jovens.
E surpresas devem marcar o setor em 2021, com players de peso entrando neste mercado, que cada dia se torna mais competitivo. Em diversas partes da Europa aumenta a cada dia o número de vinhateiros que se lançam em projetos solo, usando uvas adquiridas de terceiros para elaborar seus vinhos. Países como França, Itália e Espanha lideram esta tendência, embora não faltem exemplos em outras áreas com tradição vinícola ao redor do continente. Esta busca, da parte dos négociants por vinhedos próprios, porém, não é algo novo. Além dos quatro grandes négociants da Borgonha, um outro nome deixa esta tendência evidente. Sob o comando da incansável Lalou Bize-Leroy, o tradicional négociant Maison Leroy, fundado em 1868, adquiriu parcelas em alguns dos melhores vinhedos da Borgonha e criou a Domaine Leroy em 1988.
Até o início da década de 1970, nomes como Bouchard Père et Fils, Faiveley, Louis Jadot e Joseph Drouhin, trabalhando em grande escala, dominaram a produção e comércio de vinhos na Borgonha. O resultado é que os négociants, embora ainda atuem no modelo anterior, decidiram rapidamente expandir suas áreas de vinhedos. Os consumidores estão cada vez mais conscientes sobre o que consomem, buscando produtos mais naturais e sustentáveis. Esta tendência se alinha com outros movimentos de mercado, como fazenda vegana estadia e mochila viagem minimalista, que também focam na sustentabilidade e minimalismo.
A tecnologia tem desempenhado um papel crucial na personalização da experiência do consumidor. Plataformas digitais e aplicativos permitem que os amantes do vinho descubram rótulos alinhados às suas preferências, com recomendações baseadas em algoritmos e análises de perfil. Na loja Tudo e Vinho, é possível encontrar opções que seguem essa filosofia, como vinhos orgânicos e naturais que respeitam o terroir e as tradições locais.
A loja Tudo e Vinho está atenta a essa tendência e busca oferecer rótulos que atendam a esse novo perfil de consumidor, priorizando qualidade e sabor. Embora a loja Tudo e Vinho ainda não ofereça vinhos em lata, a tendência aponta para uma diversificação nas embalagens, visando atender às novas demandas dos consumidores conscientes. Práticas sustentáveis, como a agricultura regenerativa e a certificação de vinhedos orgânicos, têm ganhado força. Esses métodos ajudam a preservar o solo, reduzir a emissão de carbono e oferecer produtos mais naturais. O mercado de vinhos está passando por uma transformação significativa, impulsionada por fatores como mudanças climáticas, novas preferências de consumo e avanços tecnológicos.